quarta-feira, 15 de julho de 2015

Devocional#26 - SINAIS DE ESPERANÇA


Por causa da bondade de Deus para com todos os homens e mulheres, tanto crentes como não-crentes, a fidelidade divina à criação - graça comum - ainda produz frutos na vida pessoal, social e cultural da humanidade. ¹
Albert Wolters


Mesmo não sendo comum, as vezes os noticiários transmitem uma ou outra história de alguma boa ação feita no ambiente urbano que leva os expectadores a uma emoção singular dentre todas não tão boas que é possível sentir em apenas um dia no espaço urbano. Parece ser mais comum os sentimentos de desesperança, mas de quando em quando nos é permitido sermos tomados pela gratidão por causa de uma situação de bondade.

Sabemos de várias situações que demonstram os sinais da Queda do homem, várias são as consequências da escolha que o homem fez de viver de forma autônoma de Deus. Corrupções, escândalos, desvios, egoísmo, busca frenética para se satisfazerem, abusos, perversões, idolatria e tantos outros sinais. Isso tudo não é surpresa para nenhum cidadão urbano, essas situações são muito comuns. Embora, diariamente, seja possível encontrar algum resultado direto da Queda, também encontramos “sinais de esperança” na cidade. E é diante disso que nos perguntamos; como é possível a bondade ocorrer entre as pessoas que escolheram viver longe do seu criador?

Embora as cidades tenham vários aspectos que não são bons e precisam radicalmente de transformação, há também alguns “sinais de esperança” que despertam o interesse. Aqui não podemos esquecer que a graça de Deus não é exclusivista aos cristãos, mas que Deus está redimindo toda a sua criação, sendo assim, todos os que vivem na cidade, de certa forma, são abençoados pela graça de Deus que tem chegado ao mundo. E, além do fato de que na cidade haja cristãos que vivam segundo o exemplo de seu mestre, há também exemplos de bondade feito por quem não confessa sua fé em Jesus.

Nesse aspecto, precisamos nos lembrar que toda a bondade e ato de amor é resultado direto da ação de Deus no mundo. E que também há relatos bíblicos em que podemos perceber um cuidado de Deus para que a maldade não chegue ao seu máximo, para que os homens não acabem uns com os outros e não se extinguem através de suas próprias mãos. Como também a diversidade de dons, talentos e vocação que Deus dá aos seres humanos, cristãos ou não, que mantém a cidade - embora ainda com situações perversas - habitável. 

É impossível negar que Deus tem cuidado de sua criação ao disponibilizar a sua Graça Comum para que a vida ocorra no ambiente da cidade. Mesmo em meio a maldade ainda encontramos “sinais de esperança” que nos fazem permanecer firmes diante das adversidades. Deus tem cuidado de seu povo, não somente dos que já confessaram o senhorio de Jesus, mas de toda a sua criação. A Graça do Criador tem chegado nos ambientes mais sombrios de nossa cidade para que um dia todos aqueles a quem Deus chamou possam viver para Ele integralmente.

Sinais de bondade, belas criações artísticas, socorro dos necessitados, cuidado com o outro, assistência aos marginalizados, crianças adotadas, cuidado com a natureza, esses e tantos outros sinais de esperança são resultados da maravilhosa graça de Deus, que não tem permitido as pessoas levarem o mundo a passos largos à destruição. A Graça Comum tem sido o sinal de esperança para todos os cidadãos urbanos. 

Mesmo diante de um Deus tão gracioso é mais do que comum os cristãos se esquecerem que foram chamados para viverem como discípulos de Jesus no mundo. Nesse sentido, se esquecem que o discipulado, o serviço, o relacionamento, a esperança e a evangelização fazem parte da missão cristã na cidade. Somos todos convocados a viver com o mesmo estilo do filho de Deus. Somos convocados a espalhar esperança na cidade e sinalizar que o reino de Deus já foi iniciado e que todas as coisas estão passando por uma restauração. Deus está em missão e convidado seu povo a viver a partir dela! Reconhecer os sinais de esperança e espalha-los pela cidade é parte de nossa missão no mundo!

Questões para Reflexão:
1. Você reconhece sinais de esperança na cidade? Esses sinais são resultados da bondade de Deus através da sua Graça Comum para toda sua criação? Por que crê nisso?
2. Você acredita que Deus enviou seus discípulos para sinalizarem esperança na cidade?
3. Como você tem reagido a uma cidade que almeja a esperança? Como você tem vivido?
4. Qual tem sido sua postura diária diante desse Deus tão gracioso com a sua criação?

© Antonio Gama
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¹ Wolters, Albert M. A Criação Restaurada. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 70.
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O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto e o incentivamos a fazê-lo, desde que não altere seu formato, conteúdo e que informe os créditos de autoria.  

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Devocional#25 - A ESPERANÇA DOS CRISTÃOS


Enquanto a história da redenção se descortina, começamos a enxergar como a tensão da cidade será resolvida. ¹
Timothy Keller


Enquanto muitos em nossas cidades sofrem com incertezas futuras por causa das constantes notícias transmitidas de forma viral pelas mídias, é possível que tenha um grupo de pessoas que estejam sentindo as mesmas angústias, mas não cedem à desesperança. Como é possível ter reações diferentes frente aos mesmos problemas urbanos?

De um lado podemos perceber um grupo que fica sem esperança quando conhecem os principais problemas de nossa cidade. De outro lado, um grupo que mesmo diante desses problemas ainda mantem a esperança como a principal força para continuar vivendo. A diferença está exatamente no alcance de visão de cada grupo.

Enquanto uns vivem somente a partir de seus olhos e limitações, há aqueles que sabem que algo está acontecendo mesmo que ainda haja grandes problemas em processo.

Nos perguntamos; o que há de errado com o mundo? E, porque ainda há tantos problemas? Alguns dizem que é o egoísmo das pessoas e das nações, outros dizem que é a busca que cada um faz para se realizarem ao máximo na vida e outros dizem que é a ruim administração pública em escala nacional.

E todos esses motivos estão corretos, mas a questão é que normalmente quando se tenta resolver o problema, diagnosticam a causa errada e acreditam que se tratarem essas causas resolveram os problemas. Estão tentando resolver os problemas, mas confundindo as “consequências” com as “causas”. Essa é a falência dessas propostas, pois isso sempre leva à falta de esperança!

As respostas à essas perguntas não são fáceis, mas a causa desses problemas é fácil de detectar. A narrativa bíblica apresenta uma história incrível, que inicia na Criação perfeita de Deus, a escolha do homem que levou a Queda, trazendo consequências para toda a criação. Deus então inicia um processo de Redenção através de Jesus Cristo que está restaurando todas as coisas até que um dia cheguemos a Consumação final na qual viveremos com a presença do próprio Deus em um mundo restaurado. Criação, Queda, Redenção e Consumação: esse é o resumo da grande história bíblica.

A partir da história da redenção é fácil sabermos em qual momento estamos vivendo hoje, nesse caso, as consequências da Queda afetam todas as relações dos seres humanos. Porém não devemos confundir as “consequências” com a “causa”, pois sabemos que a causa dos problemas que vivemos hoje é exatamente a Queda. E se ficarmos somente focados nesses problemas, o resultado será a falta de esperança!

Embora vivamos com as consequências da Queda sabemos que esse não é o único momento da história bíblica, Cristo já começou um processo de Redenção de todas as coisas que irá até o dia estabelecido pelo próprio Deus, assim ocorrerá a redenção final e, enfim, a Consumação. Tudo está sendo restaurado pelo próprio Deus, essa é a nossa esperança! Mesmo que os problemas sejam realmente muito ruins, sabemos que não serão eles que irão vencer no final da história.

O processo que deve chamar a atenção dos cristãos não é o fato de ainda ocorrer grande problemas em nossas cidades, mas o fato de que um processo de restauração já foi iniciado. Há um processo de redenção, iniciado em Deus, através de seu filho Jesus, que está acontecendo nesse exato momento e ocorrerá até que ele mesmo conclua a restauração de todas as coisas.

Essa definitivamente é uma grande razão para celebramos! Por isso que parte de nossa missão no mundo é a “missão de celebrar” pois sabemos o que de fato está acontecendo na história. Deus está redimindo todas as coisas através de Jesus e agora ele convoca o seu povo para submeter todas as áreas da vida ao senhorio dele. Sinalizaremos a esperança na cidade quando vivermos a partir da “missão de celebrar”.

Questões para Reflexão:
1. Você acredita que a história da redenção pode nos ajudar a compreender a história do homem? Você poderia explicar esses pontos; criação, queda, redenção e consumação?
2. Como essa história da redenção pode ajudar os cristãos a viverem com esperança?
3. Você concorda que temos o porque viver com esperança e também sinalizá-la?

© Antonio Gama
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¹ Keller, Timothy. Igreja Centrada. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 172.
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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Devocional#24 - PORTADORES DE ESPERANÇA


A mudança no relacionamento entre o povo de Deus e a cidade pagã se torna um aspecto vital do plano de Deus de abençoar as nações e redimir o mundo. ¹
Timothy Keller


Nossa cidade é permeada de fatores positivos, como também há nela alguns medos e receios que hora ou outra nos tomam de assalto de um fim de semana tranquilo. Muitas são as razões que nos fazem perder o sono nas noites escuras do ambiente urbano.

Os medos comuns das grandes metrópoles são aqueles já conhecidos e anunciados diariamente nos jornais sensacionalistas: o medo de ser assaltado durante o transito na volta do trabalho; o medo que faz com que deixemos as nossas casas vigiadas e seguras para que não a roubem, e; o medo porque os filhos utilizam transporte público ou que podem ser influenciados por colegas ao uso de drogas.

São diversas as formas de medo que surgem diariamente no pensamento do morador da cidade, o que de certa forma pode tirar-lhes toda a esperança de uma vida tranquila. 

Também são mais do que comuns alguns receios para todas as pessoas, tais como: possibilidade de perder o emprego diante de uma crise anunciada no último noticiário; a possibilidade do atraso do financiamento do imóvel tão difícil de adquirir; a informação que a escola dos filhos pequenos entrará em greve, e; a percepção de que o automóvel já passou da data de revisão e que isso pode lhe causar um acidente enquanto não for concertado.

Esses e tantos outros receios surgem também nos ambientes urbanos a ponto de gerar uma tensão constante entre as pessoas e assim, como consequência, geram a desesperança.  

Esses medos e receios são apenas sinônimos de uma mesma cidade, na qual a maior parte de seus moradores vivem angustiados e muitas vezes sem esperança que suas vidas possam um dia ser mais tranquila. De fato, existe um grupo de pessoas que vivem com o medo batendo em suas portas todas as noites. Não há mais lugar para buscar esperança, todas as soluções já se esgotaram. De repente, as percepções da vida real lhes caem nos ombros e o desespero é a única força que lhes restam.

Diante dessa realidade clara da falta de esperança, os cristãos são convocados a viverem de forma que demonstre à cidade que a verdadeira razão para se ter esperança não pode ser resultado daquilo que o próprio homem crie ou faça, mas somente pode ser fornecido para os seres humanos a partir de um ser que seja transcendente à essa criação, nesse caso, somente teremos esperança quando buscarmos em Deus. 

A nossa “missão de celebrar” envolve sinalizar esperança nesses ambientes em que as pessoas fazem o possível para conseguirem segurança, realizarem seus sonhos, cuidar de suas famílias e conquistarem seus objetivos, pois, caso contrário, elas conseguindo ou não o que desejam, se encontrarão desesperançadas no decorrer de suas vidas. A ideia principal é que a segurança para a vida não é gerada pelas mãos humanas, mas pelo cuidado e ideal do nosso redentor.

Tudo está sob o senhorio do próprio Jesus Cristo, e todas as coisas estão sob a coordenação de suas mãos, tudo está sob o seu controle. Sendo assim, a única fonte de verdadeira esperança está no próprio filho de Deus, sem ele não há possibilidade de uma vida abundante no tempo em que vivemos. Querendo ou não, vemos constantes sinais de desesperança na cidade, e por causa dessa situação é que fomos enviados para representar Jesus Cristo nesses ambientes.

Sinalizar a esperança faz parte da nossa missão na cidade! E fazê-lo ou não pode ser o que de fato trará ou não uma nova forma de viver às pessoas. Está diante de nós a possibilidade de transformarmos a cidade através da esperança. Jesus fez assim e nos chama diariamente para uma vida entregue à missão que nos foi trazida por ele. Assim poderemos sinalizar a esperança do reino de Deus!

Questões para Reflexão:
1. Você concorda que é muito comum encontrar entre os moradores da cidade medos e receios? Quais seriam as razões para as pessoas viverem com esses sentimentos?
2. Na sua opinião os cristãos possuem realmente um motivo para os manterem esperançosos? Qual seria esse motivo? Como você poderia divulgar isso às pessoas da cidade?
3. Você acredita que Deus deseja abençoar a cidade através de seu povo? Porquê?
4. Como você imagina que os cristãos poderiam divulgar uma nova forma de viver?

© Antonio Gama
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¹ Keller, Timothy. Igreja Centrada. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 172.
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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Devocional#23 - AS ANGÚSTIAS DA CIDADE


A contextualização saudável mostra às pessoas que os enredos de suas histórias só podem ter um final feliz em Cristo. ¹
Timothy Keller


A cidade é um espaço paradoxal por natureza, nela podemos encontrar coisas maravilhosas como uma produção cultural incrível espalhada por suas ruas, uma gastronomia extremamente diversificada, coletivos e grupos que se unem a favor de uma causa, expressões de amor e carinho entre algumas pessoas, entre tantas outras situações que demonstram a humanidade que nela reside.

Ao mesmo tempo, e talvez seja a maior ênfase, podemos encontrar espaços de supressão de direitos básicos, falta de acesso para todos os moradores ao que é produzido culturalmente, escassez de emprego dignos para as pessoas, uma gestão complicada dos serviços públicos de atendimento, dentre outros problemas crônicos do espaço urbano.

Dentre essa segunda indicação que apresenta os problemas, também é comum encontrarmos ações de menosprezo e desvalorização na cidade. Há entre os moradores urbanos aqueles que são negros, há os pobres, há os especiais, há índios, há nordestinos, há os analfabetos, pessoas que são exatamente como todas as outras, mas que sofrem um menosprezo por serem julgadas como inferiores.

Encontramos porteiros, faxineiras, garis, limpadores, empregadas domésticas, professoras, entre tantas outras profissões que são de certa forma desvalorizadas na cidade. Mesmo que todos necessitem desses serviços e que eles tenham um papel fundamental em nossa sociedade, há aqueles que se julgam superiores a esses profissionais somente pelo fato de terem um outro tipo de emprego.

As cidades são constituídas a partir desses contrastes! O menosprezo, a desvalorização, o desrespeito, o maltrato, a falta de acesso, a negação de direitos, são alguns dos motivos que podem levar parte significativa da população à desesperança, cada dia mais que vivem no ambiente urbano. É muito nítido perceber a angústia da cidade!

E diante desse cenário nos perguntamos: qual poderia ser a postura dos cristãos frente à essa angústia? Como o chamado de Deus para cada um de nós poderia influenciar essa cidade no que se refere ao menosprezo e desvalorização tão comum?

Para respondermos as questões que nos chegam precisamos nos lembrar da postura do nosso redentor, o filho de Deus: Jesus de Nazaré. Um dos primeiros exemplos que ele nos deixou foi que para cumprir com a missão de Deus no mundo, foi necessário entrar nas situações problemáticos das pessoas, sinalizando assim o reino de Deus nesses ambientes. Não foi isso que Jesus fez ao entrar na história da humanidade? Sendo assim, não devemos nos encarcerar em nossas casas e igrejas fugindo dos problemas urbanos, precisamos ser sal e luz nesses ambientes.

O segundo exemplo que precisamos resgatar da vida do nosso mestre foi que durante sua vida e ministério ele dedicou-se a servir às pessoas que lhe procurava, lhe surgia no caminho ou que ele procurava encontrar. Sua postura de servo trazia transformação às pessoas. Nesse caso, precisamos seguir o seu exemplo e nos posicionarmos como servos de Deus na cidade.

Um terceiro exemplo básico de Jesus era que ele tinha qualquer pessoa que surgia a sua frente como quem era portador da imagem de Deus, sendo assim, tinham um valor intrínseco neles mesmos, seja qual fosse suas profissões, seus status na sociedade, suas posses e bens, seu grau de conhecimento ou qualquer outro favor externo. Jesus os encarava como portadores da imagem de Deus, portanto, digno de serem tratados com respeito, mesmo que estivesse exortando tais pessoas para o arrependimento de seus pecados. Assim também precisamos agir com todas as pessoas de nossas cidades, elas são dignas por terem a imagem de Deus nelas, mesmo que imagem esteja ainda desfigurada.

Quando enxergarmos as pessoas como dignas por si mesmas, iremos cumprir com parte da missão de sinalizar a esperança na cidade. Jesus fez assim e nos chama para vivermos segundo o seu exemplo. Somos chamados para viver levando esperança aos cidadãos urbanos.   

Questões para Reflexão:
1. Você consegue citar outras situações angustiantes da cidade? Como você tem reagido a essas situações? Por que você escolheu viver com essa postura?
2. Você acredita que Deus se preocupa com as angústia de nossa cidade? Porquê?
3. Quando você olha para o número significativo de cristãos no Brasil, você acredita que eles agem conforme o exemplo de Jesus? E você, como tem vivido e feito suas escolhas?
4. Você vive sob a convicção de que foi chamado por Jesus para viver em missão na cidade? Como você tem vivido essa convicção no que se refere a sinalizar a esperança?

© Antonio Gama
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¹ Keller, Timothy. Igreja Centrada. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 108.
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terça-feira, 7 de julho de 2015

Devocional#22 - MISSÃO DE CELEBRAR


Ao cuidarem uns dos outros, garantindo que não houvesse pessoas necessitadas entre eles, os primeiros cristãos demonstraram uma nova qualidade de vida, bastante atraente. ¹
Christopher Wright


Os noticiários relatam situações que nos fazem tremer por dentro, todos os dias mais notícias difíceis chegam até nós. Os índices indicam a baixa posição de nosso país no que se refere a educação, saúde, atendimento e gestão pública. Nossos vizinhos reclamam da gestão truculenta da escola pública local, do posto de saúde que não tem profissionais suficientes, da incapacidade de criar os filhos, dentre outras coisas. Embora a cidade tenha muitos pontos positivos, parece existir uma tendência de anunciar constantemente somente aquilo que gera medo, remorso, angústia e o que nos entristece.

Quando olhamos para alguns ambientes de nossa cidade, as vezes, se torna realmente difícil encontrar motivos reais para celebração. Muitos cidadãos não têm outras opções para celebrar, a não ser o ambiente das festas populares carnavalescas ou os encontros das massas das grandes torcidas de futebol. Parece não existir um motivo real e significativo que transcenda as situações caóticas ou alegrias passageiras que vivenciamos na cidade. Não é verdade que as vezes nos deparamos com um sentimento de desesperança? E que diante das situações mais difíceis o que nos move é somente o desespero?

Não há dúvida que os moradores urbanos clamam, mesmo que inconsciente, por motivos reais para celebrarem. A falta de motivos para a alegria tem sido uma das razões da desesperança de nossa cidade. Muitos tem desejado as boas novas mesmo que não saibam exatamente quais são elas. O desespero é um dos motivos que os fazem se entregar na busca de um prazer desenfreado. A cidade está clamando por socorro e seu grito tem chegado ao nosso Deus. E estando esse Deus em missão, ele comissiona o seu povo para ser um sinal do seu reino, assim como um farol. E os desafia para serem anunciadores das boas novas desse reino, assim com um megafone.

Esse é o desafio para todo aquele que afirma ser um discípulo de Jesus de Nazaré; viver como um sinal de esperança em meio a um mundo que clama por socorro. Deus está redimindo seu povo através do sacrifício de seu filho e tem chamado essas pessoas para uma “missão de celebrar” na cidade, a ponto de gerar esperança por causa do seu estilo de vida.

Nos evangelhos podemos perceber várias vezes o próprio Jesus cercado de pessoas com situações de sofrimento, escárnio, angústia e muita desesperança por causa do contexto social, por consequências das próprias escolhas equivocadas ou por aflições impostas pelo inimigo de nossas almas.

Porém, diante de todas essas pessoas Jesus agia de forma a trazer esperança, seja na forma de olhar, de dar atenção, de mudar sua agenda, alterar seu percurso ou alguma postura de acolhimento para com o outro.

Não somente a forma com que agia, mas também, suas palavras manifestavam a esperança para aquelas pessoas em sofrimento. Assim como fez quando resolveu encarnar na história da humanidade, Jesus constantemente penetrava no sofrimento das pessoas e as resgatavam de lá através de palavras de ânimo, ou seja, sinalizava esperança no meio do caos. Não deixava de anunciar o evangelho do reino que se faz necessário o arrependimento e uma mudança de vida, mas o fazia a partir de um anúncio esperançoso.

E para esse propósito que fomos enviados ao mundo, para que através de nossas ações e falas, anunciarmos a esperança do evangelho da paz, anunciar o próprio Jesus de Nazaré.

Dizer que o reino de Deus já chegou entre os homens é uma mensagem de esperança não somente para nós mas para qualquer pessoa que deseja viver com esperança no espaço urbano. Essa é parte de nossa missão: levar esperança para a cidade.

Questões para Reflexão:
1. Qual é a sua reação frente as várias notícias divulgadas diariamente? Você acredita que os noticiários tem trazido qual sentimento às pessoas, alegria ou desesperança?
2. Você concorda que as pessoas necessitam de uma mensagem de esperança? Porquê?
3. Para você qual era a mensagem mais importante de Jesus às pessoas que ele encontrava? Essa é uma mensagem de esperança para você também? Porquê?
4. Você tem transmitido a mensagem mais importante de Jesus às pessoas da cidade? Você acredita que essa mensagem pode mudar os rumos e vida dos cidadãos urbanos?
5. Qual tem sido sua postura diante do sofrimento da cidade? Você tem vivido como um discípulo de Jesus no que se refere a sinalizar esperança no ambiente urbano?

© Antonio Gama
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¹ Wright, Christopher J. H. A Missão do Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2012, p. 172.   
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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Devocional#21 - TRANSFORMAR A CIDADE ATRAVÉS DO RELACIONAMENTO


O verdadeiro segredo da missão eficaz e frutífera no mundo é a qualidade da nossa comunidade. ¹
Timothy Keller


Qual seria sua reação caso soubesse de um homem que viveria de tal forma a ponto de transformar a história da humanidade, dividindo assim toda a história entre antes e depois dele? E se soubesse que a missão desse homem fosse apenas uma, mas que abrangeria todas as coisas? Como reagiria quando soubesse que o seria feito por ele iria restaurar toda a criação? Além disso, o que iria fazer se soubesse que ele poderia resolver tudo sozinho, mas tem convidado um povo para seguir nessa mesma missão?

Quando olhamos para as nossas cidades percebemos que a maioria dos relacionamentos são pautados em uma lógica individualista, egocentrada, ou seja, voltada apenas para si mesma. E como consequência desse pensamento que norteia a vida prática, muitas pessoas vivem constantemente buscando aquilo que possa satisfazer o seu prazer, que alimentará o seu próprio ego.

Sabemos daquelas pessoas que fazem o possível para se realizarem, aproveitam o máximo das festas, ingerem bebidas alcoólicas até perderem o controle, experimentam vários tipos de drogas para terem as mais variadas sensações possíveis, gastam uma fortuna para serem colocados em experiências estéticas e sensitivas surreais, trocam a relação sexual natural por diversas outras com a finalidade de serem felizes, afinal, ensinam isso em nosso tempo “carpe diem”; aproveite o dia, aproveitar o máximo o agora, apreciar o presente. Esses são os exageros!

Porém, precisamos ir mais fundo nessa análise e perceber que se o “estilo de vida individualista” é um ensino de nosso tempo, isso não transforma a mente apenas daqueles que querem viver para si, mas até mesmo daqueles que confessam o senhorio de Jesus sobre sua própria vida.

Nesse sentido, podemos perceber o quanto até mesmo os cristãos organizam suas vidas a partir e apenas de sua própria agenda, nesse caso, cumprem com os compromissos, levam e buscam os filhos, fazem suas compras, realizam suas tarefas, vão ao culto em algum dia da semana e tiram suas férias quando possível e ao trabalhem muito se preparam para a aposentadoria, para que então, possam descansar na velhice.

Sendo assim, mesmo que essas tarefas envolvam todas as famílias e devam de fato serem cumpridas, o resultado pode ser o mesmo do primeiro grupo citado, pois, ainda não há espaço intencional nessa agenda para o cumprimento do “desafio missional” que Cristo trouxe aos seus discípulos.

A questão principal em nosso tempo é que enquanto alguns estão propositadamente buscando formas de se satisfazerem, outros também são centrados em si mesmos por conta de somente cumprirem com as tarefas corretas. Ou não é verdade que se alguém - mesmo não sendo um cristão -, cuidar de sua agenda, cuidar de seus filhos, viajar e cumprirem com outras tarefas básicas, se tornam pessoas elogiáveis? Nisso não há nenhum problema, pelo contrário, são realmente elogiáveis. Porém, parece existir um desafio maior para aqueles que confessam a fé no filho de Deus.

O homem que citamos no início é o próprio Jesus, e através dele Deus está restaurando toda a sua criação. E para realizar essa redenção da humanidade ele poderia simplesmente fazer sozinho, mas tem constantemente convidado seus filhos – aqueles que são redimidos por Cristo – para viverem como discípulos na cidade. Deus está trazendo a originalidade de todas a sua criação através do sacrifício de Jesus na cruz, e agora está diante do seu povo chamando-o para viverem também em “missão de conviver”, para assim transformar nossas cidades.

O desafio para aqueles que são discípulos de Jesus é a consciência de que os relacionamentos humanos fazem parte da missão cristã que temos no mundo, sendo assim, não só podemos nos relacionar, como devemos fazê-lo intencionalmente. O chamado também é para “transformar a cidade através do relacionamento”.

Questões para Reflexão:
1. Você teria coragem para se unir a um grupo que esteja vivendo em missão para restaurar os relacionamentos na cidade? Qual é a razão que faria essa escolha?
2. Sua agenda demonstra que você vive como um discípulo? Você teria coragem de adaptar sua agenda para unir-se à Deus no que ele está fazendo através de Jesus? 
3. Você acredita que se os cristãos vivessem com a intenção de se relacionar por causa da missão recebida, poderiam transformar os relacionamentos urbanos? Porquê?
4. Qual o nível da sua participação na missão de conviver que Jesus nos trouxe? 

© Antonio Gama
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¹ Keller, Timothy. Igreja Centrada. São Paulo: Vida Nova, 2014, p. 369.
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O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto e o incentivamos a fazê-lo, desde que não altere seu formato, conteúdo e que informe os créditos de autoria.